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Tarifaço: fatia dos EUA nas exportações brasileiras deve recuar para 9% em 2026, aponta estudo

Por Márcia de Chiara, do Estadão. Em Agosto 06, 2025.

Impacto na balança comercial do País será reduzido; foco do Brasil em exportações de commodities atenua o estrago porque ajuda na substituição de mercados consumidores.

A participação dos Estados Unidos no total das exportações brasileiras deverá recuar para 9% em 2026. É três pontos porcentuais abaixo da participação efetiva registrada em 2024 (12%), quando não havia o tarifaço de Donald Trump, que impôs alíquotas de 50% aos produtos brasileiros.

A estimativa é de um estudo da consultoria MacroSector em parceria com a Volt Partners. O estudo considera os cerca de 700 itens excluídos da nova tarifação, com taxa de 10%, e os produtos taxados em 50%, além do menor ritmo de crescimento da economia americana, que deve ter impacto negativo nas importações do país.

Para este ano, a expectativa da consultoria é que a participação dos EUA nas vendas externas brasileiras recue para 10%. Os cálculos consideram um primeiro semestre de relativa normalidade nas exportações e um segundo semestre já afetado pelas novas tarifas.

“A leitura que fazemos é que o impacto sobre a balança comercial será reduzido”, afirma o economista Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector e senior advisor da Volt Partners. Exemplo disso, diz ele, é a avaliação positiva dos investidores em relação ao Brasil, com o dólar cotado a R$ 5,50 e acumulando queda de quase 11% neste ano. Além disso, o risco país está mantido em níveis baixos.

O estudo realizado pela consultoria aponta uma piora no saldo da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. O déficit de US$ 300 milhões registrado em 2024 do Brasil como os EUA deve saltar para US$ 4 bilhões este ano e atingir US$ 7 bilhões no ano que vem. “É uma piora, até reacomodar os clientes perdidos”, diz economista.

Entre os segmentos mais afetados pela tarifaço, a consultoria destaca o de máquinas e equipamentos, cujas vendas para os EUA somaram US$ 5,1 bilhões em 2024, e que devem recuar para US$ 1,7 bilhão o ano que vem.

Também as exportações de carne bovina devem sofrer um tombo. No ano passado, atingiram US$ 900 milhões e a consultoria projeta US$ 400 milhões para 2026. No caso do café, as exportações de US$ 1,9 bilhão em 2024 devem recuar para US$ 900 milhões em 2026. Mas a retração se deve, sobretudo, a preços, observa o economista.

Em dois anos, de 2024 para 2026, o impacto do tarifaço americano nas exportações totais do País será inferior a 10%, nos cálculos da consultoria. Em 2024, as exportações brasileiras somaram US$ 337 bilhões e a projeção é um recuo para US$ 311 bilhões em 2026.

Mesmo assim, o saldo comercial do Brasil será bem favorável, diz Silveira. O ingresso de dólares em razão das vendas externas terá uma redução. Mas, na avaliação do economista, será moderada.

No ano passado, a balança comercial brasileira fechou com superávit de US$ 74,6 bilhões. Para este ano, com seis meses de tarifaço, a projeção é de superávit de US$ 58 bilhões e, para o ano que vem, de US$ 55 bilhões.

‘Commoditização das exportações’

A redução de 12% para 9% da fatia dos EUA nas exportações totais brasileiras não deve desorganizar a economia brasileira porque se trata de uma participação relativamente pequena, na opinião de Silveira.

Seria trágico para o Brasil, diz ele, se o tarifaço atingisse as exportações de soja, que hoje são direcionadas para a China. “Aí sim seria preocupante.”

O fato de as exportações brasileiras estarem concentradas em commodities, ponto muito criticado pela baixa agregação de valor, salva o País, diz o economista. “Isso dá maior mobilidade na substituição de mercados.”

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